Zenodo
A resistência medicamentosa no tratamento da hanseníase no brasil: Um relatório técnico
By João Augusto Gomes de Souza Monteiro de Brito and Marília Brasil Xavier.
Abstract
A resistência medicamentosa na hanseníase representa uma ameaça crescente ao controle da doença. Apesar da relevância do tema, as evidências sobre sua magnitude e características no Brasil permanecem dispersas. O presente estudo objetivou elaborar um relatório técnico acerca da resistência medicamentosa no tratamento da hanseníase no Brasil, almejando delimitar e delinear melhor o estado da resistência medicamentosa no tratamento da hanseníase no Brasil, gerando uma visão completa e holística que torne possível a elaboração de recomendações e formas de conduzir essa problemática no país. Para isso, foi utilizada como base revisão de literatura do tipo escopo seguindo a recomendação PRISMA-ScR realizadas nas bases MEDLINE/PubMed, PubMed Central, LILACS e SciELO, sem restrição de idioma ou período de publicação. Foram incluídos estudos primários observacionais que abordassem resistência medicamentosa na hanseníase no contexto brasileiro. Foram incluídos 14 estudos publicados entre 1986 e 2025, totalizando 3.500 indivíduos investigados, dos quais 154 apresentaram resistência confirmada. Predominaram pacientes multibacilares e com recidiva originados de centros de referência. A resistência à dapsona, foi a mais frequente, seguida por resistência à rifampicina e à ofloxacino. Também foram identificados casos de multirresistência. Observou-se transição dos métodos diagnósticos baseados na inoculação em coxim plantar de camundongos para técnicas moleculares de sequenciamento genético. A distribuição geográfica dos casos refletiu principalmente a localização dos centros de referência e da capacidade diagnóstica disponível. Os achados reforçam a importância do fortalecimento da vigilância da resistência medicamentosa no contexto brasileiro, incluindo ampliação da capacidade diagnóstica, expansão da notificação e investigação de casos suspeitos, monitoramento longitudinal dos casos confirmados e estímulo ao desenvolvimento de pesquisas relacionadas ao tema.



