Cadernos Cajuína
Quem, quando, quanto e por quanto tempo: Respostas práticas sobre sulfato de magnésio para neuroproteção fetal
By Luis Paulo Zica Silva.
Abstract
O parto pré-termo é a principal causa de mortalidade e morbidade neonatal, e a paralisia cerebral (PC) permanece entre suas sequelas mais graves. O sulfato de magnésio (MgSO₄) administrado à gestante em iminência de parto pré-termo precoce é, ao lado da corticoterapia antenatal, uma das poucas intervenções com efeito demonstrado sobre o neurodesenvolvimento. Este artigo consiste em uma revisão integrativa da literatura publicada entre 2019 e 2026 sobre a eficácia, a segurança e os aspectos práticos da administração do MgSO₄ para neuroproteção fetal, incorporando os cinco ensaios clínicos randomizados que fundamentam a recomendação, as metanálises e a análise sequencial de ensaios mais recentes e a revisão de especialistas de Ayala e Rouse (2026). As evidências acumuladas indicam redução do risco de PC (RR 0,71; IC 95% 0,57–0,89) e do desfecho combinado PC ou óbito, com número necessário para tratar em torno de 50 a 60. Persistem, contudo, divergências entre diretrizes quanto ao limite superior de idade gestacional, ao esquema posológico e à necessidade de redose. Com base na análise crítica dos ensaios, sintetizam-se respostas práticas às questões clínicas mais frequentes: candidatas (viabilidade a 31 semanas e 6 dias, com parto previsto em 12 a 24 horas, por indicação espontânea ou iatrogênica), momento de início (idealmente pelo menos 3 horas antes do nascimento, sem postergar partos urgentes), esquema (4 g em bolus seguido de 1 g/h, ou 6 g seguido de 2 g/h, conforme o protocolo institucional), duração (12 a 24 horas) e redose. Conclui-se que o MgSO₄ é intervenção segura, de baixo custo e subutilizada, cuja incorporação sistemática aos protocolos obstétricos brasileiros pode reduzir de forma mensurável a carga de deficiência neurológica associada à prematuridade.




