Revista Acadêmica Online
Intervenções multicomponentes versus intervenções isoladas no manejo da obesidade infantil na atenção primária
By Gabriela Alves Felix and Raquel Dantas Alves Figueiredo.
Abstract
A obesidade infantil é uma doença crônica multifatorial associada a importantes repercussões metabólicas, psicossociais e funcionais, representando um desafio relevante para a saúde pública. Na Atenção Primária à Saúde (APS), o manejo dessa condição envolve intervenções voltadas à mudança de estilo de vida, incluindo alimentação, atividade física e aspectos comportamentais. Apesar da recomendação de abordagens integradas, ainda há incertezas sobre a efetividade comparativa entre intervenções multicomponentes e intervenções isoladas. Trata-se de uma revisão sistemática de ensaios clínicos randomizados, conduzida segundo o protocolo PRISMA e registrada no PROSPERO (CRD420261383768). As buscas foram realizadas nas bases BVS, PubMed, EBSCOhost, Word Wide Science e ScienceDirect, utilizando descritores relacionados a “Primary Health Care”, “Obesity” e “Child”. Foram incluídos estudos publicados nos últimos dez anos em inglês, português ou espanhol, totalizando sete estudos após triagem de 1.700 registros. A qualidade metodológica foi avaliada pela escala de Jadad. Os estudos incluíram crianças com sobrepeso ou obesidade em diferentes contextos de APS, com intervenções predominantemente multicomponentes envolvendo dieta, atividade física e família. A maioria dos estudos demonstrou redução do IMC e melhora de desfechos antropométricos e comportamentais, especialmente em curto prazo e em crianças mais jovens. Também foram observadas melhorias em fatores cardiometabólicos e hábitos de vida, embora alguns estudos não tenham encontrado superioridade significativa das intervenções multicomponentes em relação às isoladas. Intervenções multicomponentes tendem a ser mais eficazes, especialmente quando há envolvimento familiar e integração entre diferentes estratégias de cuidado. No entanto, a efetividade varia conforme intensidade, contexto e adesão das famílias, além de depender da capacitação das equipes e da estrutura dos serviços de APS. Por fim, destaca-se que as intervenções multicomponentes representam uma abordagem mais promissora no manejo da obesidade infantil na APS, com melhores resultados em IMC e desfechos associados, sobretudo quando associadas ao suporte familiar e à organização adequada do cuidado.






