Revista Acadêmica Online
Uso do brinquedo terapêutico instrucional em enfermaria pediátrica: Relato de experiência de estudantes de enfermagem
By DANIELLE CAETANO SABES, Fernanda Stavarengo Silva and Fernanda Paula Cerântola Siqueira.
Abstract
A hospitalização infantil pode desencadear medo, ansiedade e insegurança, o que demanda estratégias de cuidado sensíveis às necessidades da criança. Nesse contexto, o Brinquedo Terapêutico Instrucional (BTI) pode auxiliar na preparação para procedimentos e na expressão de reações diante do cuidado. Objetiva-se relatar a experiência de estudantes de Enfermagem com o uso do BTI em uma enfermaria pediátrica de um hospital público do interior do estado de São Paulo. Trata-se de relato de experiência vivenciado por estudantes da quarta série de Enfermagem durante estágio curricular supervisionado obrigatório, entre março e junho de 2026. A intervenção ocorreu com uma criança de dois anos que, após procedimentos invasivos, apresentava choro, medo e resistência à aproximação da equipe. Para prepará-la para um eletrocardiograma, utilizou-se um boneco confeccionado com materiais simples, no qual o exame foi demonstrado com linguagem compatível com a faixa etária e possibilidade de manipulação do recurso. Após a intervenção, observou-se maior tranquilidade, aceitação da aproximação e colaboração durante o exame, realizado sem a resistência anteriormente manifestada. A experiência favoreceu a reflexão das estudantes sobre o BTI como recurso de comunicação, preparação para procedimentos e fortalecimento do vínculo entre criança, família e equipe de Enfermagem, além de suscitar questionamentos sobre sua incorporação à prática assistencial. A observação não utilizou instrumento padronizado para mensurar medo, ansiedade, dor ou cooperação, e os procedimentos comparados diferiam quanto ao potencial doloroso. Conclui-se que, na situação relatada, o BTI mostrou-se uma estratégia viável de cuidado humanizado; por se tratar de uma experiência única e de observação não padronizada, os efeitos observados não permitem estabelecer relação causal nem generalização.




