Revista Brasileira de Cancerologia
Tratamento Adjuvante do Tumor do Estroma Gastrointestinal com Mesilato de Imatinibe no Sistema Único de Saúde: Estudo Ecológico Descritivo de Dez Anos de Incorporação
By Felipe Mendes Delpino, Laura Augusta Barufaldi, Natália Dias Brandão and 1 others.
Abstract
Introdução: O tumor estromal gastrointestinal é uma neoplasia mesenquimal do trato digestivo com risco de recorrência pós-operatória, para a qual o imatinibe adjuvante demonstrou benefício clínico. No SUS, esse medicamento foi incorporado em 2014. Objetivo: Descrever uma década de uso de imatinibe adjuvante para tumor estromal gastrointestinal no SUS, caracterizando o perfil dos usuários, a distribuição geográfica e os padrões de utilização. Método: Estudo ecológico descritivo com dados secundários de autorizações de procedimentos ambulatoriais de alta complexidade, de janeiro de 2014 a dezembro de 2024, vinculados a códigos diagnósticos do sistema digestivo e a esquemas terapêuticos compatíveis com imatinibe adjuvante. Resultados: Foram identificados 1.602 tratamentos iniciais, com aumento anual progressivo. Houve leve predomínio do sexo feminino (52,9%) e concentração entre 50 e 69 anos (56,2%). Os tratamentos se concentraram nas Regiões Sudeste (42,6%) e Sul (23,8%); entre a população com 50 anos ou mais, as densidades de usuários mais altas foram observadas no Norte e Centro-Oeste. O estômago foi o sítio primário mais frequente (50,9%) e a maioria dos tratamentos foi eletiva (99,1%). O tempo médio entre solicitação e autorização para casos incidentes diminuiu de 17,5 dias em 2014 para 7,8 dias em 2024. Os achados devem ser interpretados considerando as limitações inerentes aos dados administrativos, que não permitem confirmação individual da indicação adjuvante, da ressecção cirúrgica ou de desfechos clínicos. Conclusão: O uso de imatinibe adjuvante no SUS aumentou de forma constante, com tempos de autorização mais curtos e heterogeneidade territorial.





