Jornal de Assistência Farmacêutica e Farmacoeconomia
Índice de Complexidade da Farmacoterapia de Pacientes Transplantados Renais do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA)
By Joane Andrade Xavier, Juliana da Silva Winter and Diogo Pilger.
Abstract
Introdução (com objetivo): Pacientes submetidos a transplante renal necessitam de terapia imunossupressora contínua para prevenir a rejeição do enxerto, bem como complicações clínicas e óbito. O monitoramento terapêutico é essencial, sendo imprescindível avaliar a complexidade da farmacoterapia, que pode impactar diretamente a adesão ao tratamento imunossupressor. O Índice de Complexidade da Farmacoterapia (ICFT) é um instrumento que quantifica o regime posológico com base na forma de dosagem (seção A), frequência (seção B) e instruções de uso (seção C), servindo como indicador clínico para identificar pacientes com menor e maior carga terapêutica. O objetivo do trabalho é descrever o perfil e a evolução da complexidade da farmacoterapia de pacientes transplantados renais após 30 dias da alta hospitalar e 6 meses após o transplante. Material e Método: Estudo longitudinal prospectivo de 12 meses com amostragem consecutiva, realizada com pacientes transplantados no Hospital de Clínicas de Porto Alegre. As variáveis incluíram dados sociodemográficos, clínicos e escore do ICFT. A coleta de dados teve início em agosto de 2025, e os participantes foram recrutados mediante assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). O presente trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do HCPA, conforme parecer número 82627124.1.0000.5327. Resultados: Foram incluídos 106 pacientes: 38 do sexo feminino e 68 do sexo masculino. A média de idade foi de 50,52 ± 14,7 anos. Em relação ao nível de instrução, observou-se predominância de pacientes com Ensino Fundamental incompleto (26,4%; n=28) e Ensino Médio completo (24,5%; n=26), que juntos representam pouco mais da metade da amostra. Os demais pacientes (49,1%; n=52) distribuíram-se entre os outros níveis de escolaridade básica e superior. Na primeira avaliação, realizada aos 30 dias, a média do ICFT foi de 52,71, reduzindo-se para 39,47 após 6 meses do transplante. Essa redução progressiva na carga terapêutica demonstrou alta significância estatística (p<0,001). Na estratificação por sexo, o ICFT médio aos 30 dias foi de 49,99 ± 10,45 entre as mulheres e 54,23 ± 11,12 entre os homens. Após 6 meses, os valores reduziram para 37,82 ± 11,30 e 40,39 ± 12,69, respectivamente, tendência constante e proporcional em todas as subseções do instrumento. Apesar das variações numéricas, não houve diferença estatisticamente significativa entre os sexos, nem aos 30 dias (p=0,057) nem aos 6 meses (p=0,301), indicando que o sexo não é fator determinante para a complexidade da prescrição. A faixa etária apresentou correlação linear positiva e estatisticamente significativa com os níveis de ICFT: aos 30 dias, r=0,357 e p<0,001, demonstrando que, à medida que a idade avança, há aumento proporcional na complexidade da farmacoterapia. Em contrapartida, o nível de escolaridade não exerceu influência sobre a complexidade do regime terapêutico (p=0,061 aos 30 dias; p=0,419 aos 6 meses). Conclusões: A complexidade da farmacoterapia é consideravelmente elevada no período imediato pós-transplante, com redução progressiva ao longo dos primeiros meses. A idade avançada destaca-se como o principal fator clínico, dentre os analisados, associado à necessidade de regimes terapêuticos mais complexos.









