Cadernos Macambira
A autotranscendêcia no processo de morrer: reflexões a partir da logoterapia
By Francisco Castro D' Almeida Couto.
Abstract
O presente estudo aborda o processo do morrer a partir da perspectiva da Logoterapia, enfatizando a autotranscendência como dimensão fundamental da existência humana diante da finitude. Parte-se da compreensão de que, na contemporaneidade, o morrer tem sido frequentemente reduzido à sua dimensão biológica, o que limita a apreensão de seus aspectos existenciais. O objetivo consiste em refletir sobre o morrer como uma experiência potencialmente significativa, à luz dos pressupostos da Logoterapia. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de caráter teórico-reflexivo, desenvolvida por meio de revisão narrativa da literatura, com base nas contribuições de Viktor Frankl e em referenciais relacionados aos cuidados paliativos. Os resultados indicam que, mesmo em situações-limite, o ser humano mantém a capacidade de atribuir sentido à existência, especialmente por meio da realização de valores e da autotranscendência. Evidencia-se, ainda, que a articulação entre Logoterapia e cuidados paliativos contribui para uma abordagem mais integral do cuidado, contemplando dimensões psicológicas, sociais e espirituais. Conclui-se que o morrer pode ser compreendido como um espaço de produção de sentido, no qual a dignidade humana se afirma nas atitudes assumidas diante do sofrimento inevitável.





