Abstract / Summary
Os cuidados paliativos constituem uma abordagem essencial para pacientes com doenças graves, especialmente em serviços de emergência, nos quais decisões clínicas precisam ser tomadas em contextos de instabilidade e incerteza prognóstica. Este estudo teve como objetivo analisar as evidências científicas sobre a identificação das necessidades paliativas na emergência, a utilização de intervenções potencialmente desproporcionais e os fatores associados à definição dos objetivos terapêuticos. Foi realizada uma revisão integrativa da literatura, com abordagem qualitativa e síntese narrativa dos achados. Foram considerados estudos relacionados ao reconhecimento de necessidades paliativas, à comunicação entre profissionais, pacientes e familiares, às decisões sobre suporte invasivo e à continuidade assistencial. A síntese temática destaca que instrumentos de rastreamento podem auxiliar na identificação de pacientes elegíveis para avaliação paliativa, embora a heterogeneidade metodológica e a ausência de padronização limitem sua aplicação uniforme. Evidencia-se também que decisões sobre intervenções invasivas devem considerar a reversibilidade clínica, os benefícios esperados e as preferências individuais, evitando associações automáticas entre cuidados paliativos e limitação terapêutica. A comunicação compartilhada, o registro dos objetivos de cuidado e a articulação entre os serviços são elementos fundamentais para qualificar a assistência. Conclui-se que a integração precoce dos cuidados paliativos à emergência pode contribuir para uma abordagem mais individualizada e coerente com as necessidades dos pacientes, sendo necessários estudos adicionais para avaliar estratégias e desfechos assistenciais.