Abstract / Summary
Resumo Introdução: A fibrose hepática é o estágio avançado da doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica (MASLD), afetando cerca de 10% dos adultos com esteatose. O IMC, principal ferramenta antropométrica, não distingue massa gorda de massa magra e não captura a distribuição de gordura central. O BMI-C (Body Morphometric Index – Corrected) é um índice proprietário que corrige o erro dimensional do IMC, identifica 23,7% dos normais em risco metabólico e correlaciona a fibrose com a insulina. Objetivo: Validar o BMI-C como preditor de fibrose hepática avançada (F2+, F3+, F4) em duas coortes do NHANES (2017–18 e 2021–23), e investigar o papel da insulina como mediadora e amplificadora do efeito do BMI-C sobre a fibrose. Métodos: Estudo transversal com n = 5.014 adultos (≥ 20 anos) do NHANES 2017–18 e 2021–23 com elastografia hepática válida (FibroScan). Desfechos: F2+ (rigidez ≥ 8 kPa), F3+ (≥ 12 kPa), F4 (≥ 20 kPa). AUC com IC95% por bootstrap (2.000 reamostragens). Teste de DeLong para comparação de AUCs. Mediação pela insulina (método de Baron & Kenny, com IC95% por bootstrap). Interação BMI-C × insulina por regressão logística. Resultados: A prevalência de F2+ foi 10,3% (n = 514), F3+ 3,6% (n = 182), F4 1,3% (n = 64). O BMI-C apresentou AUC de 0,725 (IC95%: 0,700–0,749) para F2+, 0,746 (0,708–0,782) para F3+ e 0,709 (0,644–0,769) para F4, superando o IMC (ΔAUC = +0,019, p < 0,0001 para F2+). A insulina mediou 21,5% (IC95%: 13,2–29,2%) do efeito do BMI-C sobre F2+, 30,3% (20,1–41,2%) sobre F3+ — o estágio onde a insulina se revela central para a concretização da fibrose — e 43,0% sobre F4. A interação BMI-C × insulina foi significativa para F2+ (β = +0,927, p = 0,004), indicando sinergia: em tercil alto de ambos, a prevalência de F2+ foi 25,1%; em tercil baixo de ambos, 4,5%. Em S1 (esteatose leve), o BMI-C não predisse fibrose incipiente (AUC = 0,516), mas o AST/ALT predisse (AUC = 0,623). Conclusão: O BMI-C é um preditor robusto de fibrose hepática avançada, superando o IMC e o BARD. A insulina medeia 20%–43% do efeito do BMI-C sobre a fibrose, com interação sinérgica em estágios iniciais. O BMI-C não prediz fibrose incipiente em S1, sugerindo que a fibrose depende de fatores bioquímicos (AST/ALT) além do risco estrutural. O BMI-C é ferramenta viável para triagem em atenção primária, com custo próximo de zero e sem exames laboratoriais.