Abstract / Summary
Introdução: A deterioração clínica em pacientes pediátricos hospitalizados pode ser precedida por alterações nos parâmetros fisiológicos e em biomarcadores, cuja identificação precoce é fundamental para orientar intervenções oportunas. Objetivo: Analisar as evidências científicas sobre biomarcadores não invasivos e parâmetros fisiológicos utilizados na predição da deterioração clínica em pacientes pediátricos hospitalizados. Métodos: Revisão da literatura realizada a partir de estudos sobre sinais vitais, biomarcadores laboratoriais, monitoramento contínuo e modelos preditivos aplicados à população pediátrica hospitalizada. Foram considerados aspectos relacionados à capacidade de identificação precoce, ao desempenho preditivo e à aplicabilidade clínica dessas ferramentas. Resultados: Os estudos destacaram a relevância da frequência cardíaca, frequência respiratória, saturação periférica de oxigênio, pressão arterial e perfusão periférica, especialmente quando avaliadas longitudinalmente e em conjunto. Modelos baseados em aprendizado de máquina demonstraram potencial para melhorar a discriminação de eventos de deterioração, enquanto biomarcadores laboratoriais apresentaram utilidade em contextos específicos, como infecções e disfunções orgânicas. Entretanto, foram identificadas limitações relacionadas à heterogeneidade das populações, à validação dos modelos e à variabilidade do desempenho preditivo. Conclusão: A predição da deterioração clínica pediátrica beneficia-se da integração entre parâmetros fisiológicos, biomarcadores e ferramentas preditivas. São necessários estudos prospectivos e multicêntricos para validar essas estratégias e determinar seu impacto sobre as decisões clínicas e os desfechos hospitalares.