Abstract / Summary
Os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRSs) representam o padrão-ouro no tratamento de transtornos depressivos e de ansiedade, embora sua eficácia seja limitada e frequentemente acompanhada por reações adversas que afetam a adesão terapêutica. O problema central reside no fato de que o bloqueio do transportador de serotonina (SERT) promove um aumento inespecífico do neurotransmissor na fenda sináptica, estimulando uma vasta gama de pelo menos 14 subtipos de receptores. Este estudo objetiva analisar a correlação fisiopatológica entre a ativação de receptores específicos e a manifestação dos efeitos colaterais mais prevalentes. Para tal, realizou-se uma revisão integrativa da literatura com foco em evidências farmacodinâmicas, farmacogenéticas e clínicas. Os resultados demonstram que a estimulação excessiva de receptores das famílias 5-HT2 (especialmente 2A e 2C) está intrinsecamente ligada à disfunção sexual, agitação e distúrbios do sono, enquanto os receptores 5-HT3 são os principais mediadores de náuseas e vômitos. Adicionalmente, polimorfismos nos genes SLC6A4, HTR1A e HTR2A atuam como preditores de suscetibilidade individual, e fatores hormonais explicam por que mulheres apresentam uma frequência de eventos adversos até 1,7 vezes maior que os homens. Conclui-se que o mapeamento detalhado dessas interações é essencial para o avanço da medicina personalizada, permitindo intervenções farmacológicas que maximizem o benefício terapêutico e minimizem o ônus clínico para o paciente.