Abstract / Summary
O presente estudo consiste numa revisão narrativa da literatura realizada na base PubMed, com o objetivo de sintetizar as evidências científicas sobre o diagnóstico, a prevenção e o manejo do delirium no idoso. Trata-se de uma falência cerebral aguda e flutuante da atenção e cognição, com prevalência de 15% a 23% nas enfermarias e até 50% em terapias intensivas. A síndrome decorre da interação entre fatores predisponentes (idade avançada, demência, fragilidade) e precipitantes (infecções, dor, iatrogenia). Para mitigar o subdiagnóstico do subtipo hipoativo, ressalta-se a aplicação de ferramentas validadas como CAM, 3D-CAM, CAM-ICU e 4AT. A prevenção fundamenta-se em intervenções não farmacológicas multicomponentes (programas HELP e ACE), englobando reorientação, mobilização precoce e higiene do sono, que reduzem a incidência de delirium de 27% a 54% e as quedas acidentais de 42% a 62%. No contexto cirúrgico, o estudo BALANCED comprovou que a monitorização anestésica em plano mais superficial (BIS 50) reduz o delirium pós-operatório (OR = 0,58; NNT = 10). O manejo farmacológico deve ser reservado a casos graves de agitação que ameacem a segurança, priorizando-se a quetiapina sobre o haloperidol devido à resposta equivalente, menor tempo de internação na UTI e ausência de efeitos extrapiramidais. Conclui-se que o cuidado ao idoso hospitalizado exige a transição de um modelo reativo para uma assistência profilática, humanizada e multiprofissional, capaz de reduzir o declínio cognitivo, o tempo de internação e a mortalidade.