Revista Acadêmica Online
Efeito da ventilação não invasiva em pacientes com edema agudo de pulmão cardiogênico com insuficiência cardíaca atendidos em emergências
By Jaqueline Ximenes Figuerêdo de Morais and Fabrício Kleber de Lucena Carvalho.
Abstract
O edema agudo de pulmão cardiogênico constitui uma emergência clínica associada à insuficiência respiratória aguda, na qual a ventilação não invasiva representa importante estratégia de suporte respiratório. Este estudo objetivou analisar os efeitos da ventilação não invasiva nos desfechos clínicos de pacientes adultos com edema agudo de pulmão cardiogênico atendidos em serviços de emergência. Trata-se de uma revisão sistemática da literatura, conduzida conforme as recomendações PRISMA 2020, com buscas nas bases PubMed/MEDLINE, SciELO e LILACS. Foram incluídos estudos publicados entre 2020 e 2026 que avaliaram ventilação não invasiva, incluindo CPAP e BiPAP, em comparação à oxigenoterapia convencional, cânula nasal de alto fluxo (HFNC/HFNO) ou outras estratégias de suporte. Dos 112 registros inicialmente identificados, 10 estudos atenderam aos critérios de elegibilidade, totalizando 2.767 participantes. Os achados foram organizados em quatro eixos: resposta clínica e gasométrica; prevenção da intubação e escalonamento ventilatório; mortalidade e utilização de recursos hospitalares; e comparação entre ventilação não invasiva e novas estratégias de suporte respiratório. A ventilação não invasiva apresentou benefícios mais consistentes na melhora precoce da oxigenação, frequência respiratória, dispneia e parâmetros gasométricos, além de potencial redução da necessidade de intubação, especialmente quando comparada à oxigenoterapia convencional. Entretanto, os resultados referentes à mortalidade, permanência hospitalar e admissão em unidade de terapia intensiva foram heterogêneos. A HFNC/HFNO apresentou resultados semelhantes à ventilação não invasiva em determinados contextos, embora as evidências não sustentem sua substituição indiscriminada. Conclui-se que a ventilação não invasiva permanece relevante no manejo do edema agudo de pulmão cardiogênico, sobretudo pelos benefícios respiratórios precoces e pelo potencial de reduzir a intubação, sendo necessários estudos multicêntricos robustos para definir seus efeitos sobre desfechos clínicos de maior relevância.




