Scientia Generalis
Percepções e experiências de mulheres no climatério e na menopausa e suas implicações para as políticas públicas de saúde: Revisão integrativa
By Deyse Formiga da Silva, Fabianne Diniz Cutrim and Luciana Cavalcante Costa.
Abstract
Introdução: O climatério e a menopausa são vivenciados de maneiras distintas e podem impactar o sono, o humor, a sexualidade, a saúde musculoesquelética, o trabalho, a vida familiar e a qualidade de vida das mulheres. Embora sejam processos fisiológicos, a falta de informação e as desigualdades no acesso aos serviços de saúde, sobretudo entre mulheres em situação de vulnerabilidade, podem contribuir para a banalização de sintomas tratáveis e para a fragmentação do cuidado. Objetivo: Analisar as implicações dessas experiências para a implementação das políticas públicas de saúde da mulher. Método: Revisão integrativa, com síntese narrativa, baseada em publicações de 2021 a 2025 localizadas na PubMed, SciELO, Biblioteca Virtual de Saúde, LILACS e páginas oficiais de periódicos e instituições. A síntese reuniu 34 documentos, sendo 27 estudos e revisões científicas, uma declaração de posição clínica e seis fontes brasileiras sobre a contextualização normativa e político-institucional. Dos 27 estudos científicos, 22 foram relacionados à pergunta da revisão e apresentados em quadro, enquanto cinco foram utilizados na discussão sobre manejo clínico e práticas assistenciais. Resultados: Em estudo brasileiro com 1.500 mulheres, 87,9% relataram algum sintoma típico do climatério, porém a terapia hormonal foi recomendada a apenas 22,3%. Em pesquisa nacional com 205 usuárias da Atenção Primária à Saúde, todas apresentaram ao menos um sintoma, associando-se maior intensidade a piores domínios de qualidade de vida. Estudos também evidenciaram desigualdades no conhecimento, influência do contexto sociocultural, desinformação, estigma, barreiras linguísticas e étnico-raciais, receio da terapia hormonal e baixa confiança profissional. Conclusão: As políticas públicas devem transformar diretrizes gerais em ações estratégicas na Atenção Primária, com identificação ativa, avaliação biopsicossocial, educação em saúde, decisão compartilhada, qualificação profissional e monitoramento das desigualdades sociais que prejudicam o acesso e a procura pelos serviços de saúde.




