Psicologia e Saúde em Debate
O CONTATO COM A FINITUDE: Impactos da morte na formação subjetiva de estagiários de psicologia
By Amanda Cardoso de Gois, Juliana Monteiro Costa and A.P.A Pedrosa.
Abstract
A morte constitui uma experiência universal e inevitável, atravessando a existência humana em diferentes momentos do ciclo da vida. O modelo biomédico de cura resulta em dilemas e tentativas de ultrapassar limites de cuidado, preservando a vida a todo custo e encarando o óbito como fracasso e frustração. Observa-se que a formação acadêmica na área de saúde se mostra insuficiente para compreender a morte e o processo de morrer, ocasionando dificuldades no manejo do sofrimento e contato com a finitude de maneira distante. O estudo teve como objetivo compreender a experiência vivida por estagiários de psicologia diante da terminalidade, analisando seus ajustamentos emocionais e os sentidos atribuídos ao processo de morte e morrer no contexto hospitalar. Pesquisa qualitativa realizada em um hospital de referência na cidade de Recife-Pernambuco, com 10 estudantes do último ano de Psicologia em estágio hospitalar. A coleta ocorreu em junho de 2025, por meio de questionário sociodemográfico e entrevista semiestruturada, com análise temática de Minayo. Teve número de participantes delimitado pelo critério de saturação de conteúdo, segundo Turato. Os relatos revelaram sentimentos de tristeza, impotência e ambivalência, intensificados pelo vínculo terapêutico. Observou-se a presença da espiritualidade e estratégias como escrita, supervisão, terapia pessoal e rituais. A ausência de suporte institucional pode gerar sobrecarga emocional. Observou-se dificuldade no manejo emocional diante da morte do paciente. O vínculo terapêutico se mostrou fundamental, mas também potencializa o sofrimento, destacando a importância de espaços de acolhimento e preparo acadêmico.



