Acta Médica Portuguesa
Impacto de um Modelo Integrado de Cuidados em Doentes com DPOC e Risco Elevado de Reinternamento
By Diana Organista, Fátima Rodrigues, Jorge Lopes da Costa and 8 others.
Abstract
A doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC) está associada a elevada morbilidade e utilização de serviços de saúde, particularmente na sequência de exacerbações agudas que levam ao serviço de urgência (SU) e internamentos hospitalares. Doentes com comorbilidades e vulnerabilidade social apresentam maior risco de reinternamento. Este estudo teve como objetivo avaliar o impacto de uma intervenção precoce com um plano individual e integrado de cuidados (PIC) na redução de deslocações ao SU e internamentos em doentes com DPOC de alto risco. O protocolo Avaliação Pneumológica Precoce/Plano Individual de Cuidados (APP/PIC) foi implementado em fevereiro de 2024. Os doentes com risco elevado foram identificados através do cálculo do índice LACE (> 9 pontos ou 5 – 9 na presença de fatores adicionais). A intervenção combinou avaliação médica, enfermagem e serviço social, através de um modelo de seguimento híbrido, presencial e remoto. Os principais dados avaliados foram o número de idas ao SU e internamentos hospitalares no ano anterior e posterior à instituição do protocolo. Foi utilizado o teste t de Student emparelhado para a análise. Foram incluídos 53 doentes (média de idade de 67,6 anos; 62% do sexo masculino). A média do índice de comorbilidades de Charlson foi de 4,5 pontos e do índice LACE 13,8 pontos. Um ano depois, o número médio de idas ao SU reduziu de 3,09 para 0,067 (p < 0,001), e o número de internamentos, de 1,39 para 0,33 (p < 0,001). O seguimento remoto gerou alertas clínicos que resultaram em consultas médicas e de enfermagem, tendo apenas dois casos necessitado de encaminhamento ao SU e internamento por insuficiência respiratória grave. A intervenção social permitiu que a maioria dos doentes mantivesse ou retomasse apoio domiciliário. O protocolo APP/PIC demonstrou eficácia na redução de idas ao SU e internamentos em doentes com DPOC de alto risco. Este modelo representa uma abordagem promissora e sustentável para a gestão integrada de doenças respiratórias crónicas.




