Cadernos Cajuína
Associação entre a região de saúde de residência e a permanência de adultos com diabetes tipo 1 em um programa público de monitorização contínua de glicose: coorte retrospectiva no Distrito Federal
By Rafaela Flavia da Silva Puzic, Ana Luiza Rodrigues Silva de Moraes, Daniele Araújo de Sales and 2 others.
Abstract
O diabetes mellitus tipo 1 (DM1) exige manejo intensivo e monitorização glicêmica contínua. A monitorização contínua da glicose (MCG), incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS), ampliou o acesso a dados glicêmicos em tempo real e ao favorecimento do autocuidado. Este estudo avaliou a associação entre a Região de Saúde de residência e a permanência de adultos com Diabetes tipo 1 no Programa de Monitorização Contínua de Glicose da Secretaria de Saúde do Distrito Federal. Trata-se de estudo observacional analítico de coorte retrospectiva, baseado em dados de usuários incluídos entre janeiro de 2021 e março de 2025. Foram analisadas variáveis sociodemográficas (idade, sexo, região de saúde) e clínicas (HbA1c, tempo no alvo -TIR, hipoglicemias e frequência de escaneamentos), tendo como desfecho a permanência no programa (ativo vs. suspenso). Após ajuste por idade, sexo e origem de encaminhamento, a Região Centro-Sul apresentou menor chance de suspensão em comparação à Região Central (ORa = 0,554; IC95%: 0,319–0,960; p = 0,035). Os resultados indicam que usuários que permaneceram apresentaram maior frequência de escaneamentos, melhores valores de TIR e HbA1c mais baixos, sugerindo maior engajamento com a tecnologia. Observou-se, ainda, associação entre idade, sexo, origem de encaminhamento e permanência no Programa. Os achados reforçam a importância de estratégias assistenciais direcionadas ao aumento do engajamento e à redução de desigualdades no acesso e uso da MCG no SUS. Conclui-se que fatores sociodemográficos e indicadores clínicos estão associados à permanência, fornecendo subsídios para o aprimoramento do cuidado e a promoção da equidade no SUS.







